Ads 468x60px

Brasília pelos olhos do publicitário Carlos Grillo


Grillo em frente ao Palais. Foto: Arquivo Pessoal

Ganhador do Festival de Criatividade de Cannes, Mineiro de Ituiutaba, carioca de criação e brasiliense para o resto da vida. É basicamente assim que o publicitário e empresário Carlos Grillo, de 36 anos, define-se. Apaixonado pela capital, ele recentemente deu um jeito de levar o nome de Brasília para o mundo: representando uma campanha da empresa Monumenta Comunicação, conquistou para a agência brasiliense um Leão de bronze no Festival de Criatividade de Cannes. E a lista de prêmios não começa nem para aí. Em entrevista à B, Carlos Grillo fala sobre o mercado publicitário na capital e explica porque acredita no potencial da cidade.

NoE: Você acha que Brasília já pode entrar nas principais cidades do ranking publicitário brasileiro?

Carlos Grillo: Acredito que sim, tanto em qualidade criativa quanto em investimentos. Sem medo de errar, penso que Brasília já ocupa a segunda ou a terceira posição nesse ranking. Temos o maior cliente brasileiro, que é o Governo Federal. Contamos com um forte setor de serviços e um aquecido varejo de médio e grande portes. Destaco ainda a nossa poderosa indústria de softwares e soluções de TI, que tem tudo para fazer do DF uma espécie de Vale do Silício brasileiro. Por um lado, esse cenário atraiu para a cidade empresas de peso do mercado brasileiro como DM9DDB, 141 Soho Square, Borghi Ehr Lowe, Lew Lara TBWA, Fischer + Friends, Giacometti, Master, Agnelo Pacheco, Agência Click e Artplan. Por outro, possibilitou o surgimento e a ascensão de agências locais, que fizeram o caminho inverso e conquistaram, a partir daqui, reconhecimento no Brasil e no mundo. É o caso, por exemplo, da Fields, responsável pela vitoriosa campanha brasileira que trouxe para o Rio os Jogos de 2016. E é o caso também da própria Monumenta, que acabou de ganhar para Brasília importantes prêmios internacionais como o NY Festivals, o Clio Awards e o Festival de Criatividade de Cannes.

NoE: Mas você acha que dá pra fazer sucesso aqui ou os bons ainda precisam sair
para o eixo Rio-São Paulo ou para fora do Brasil?

Grillo: Dá sim. Partir para o eixo Rio-São Paulo resume-se à tentativa de encontrar um atalho. Nossa matéria-prima é a criatividade. E, para ideias, não há fronteiras. Além disso, Brasília é um grande centro. Uma cidade cosmopolita, que reúne todas as condições para suportar seus talentos. Trata-se da capital política de um país quevive – e viverá pelos próximos dez ou vinte anos – um forte protagonismo mundial. Todas as decisões passarão por aqui. Com efeito, não há melhor lugar no planeta para se estar hoje. Acredito muito nisso. Está na hora de deletar essa falácia de que para fazer sucesso na comunicação e no marketing é preciso sair daqui. Pense comigo: Brasília possui um capital humano, cultural e intelectual riquíssimos, uma economia pulsante, alavancada por um dos maiores PIBs per capita do país. A construção de Brasília é um case mundial da capacidade realizadora do ser humano. E esse poder de realização está no DNA do brasiliense. Jamais devemos perder isso de vista. Ou seja, ainda que pareça mais longo, o caminho de quem vive em Brasília até a realização pessoal e profissional está bem traçado e pavimentado. É só seguir em frente.

NoE: Com a conquista do Leão de Cannes, o que você acha que muda no seu
trabalho e no mercado publicitário brasiliense?

Grillo: Cannes é o Oscar da publicidade. Um prêmio significativo não só para a Monumenta, mas também para todo o mercado de Brasília. Ele coloca nossa cidade no mapa das mais criativas do mundo. Serve de estímulo para os profissionais das agências, para os clientes e para toda a cadeia produtiva da comunicação e do marketing. Ajuda a reter e a atrair talentos, além de trazer novos negócios para a região. Além disso, nada como um Leão de Cannes para mostrar que é possível fazer sucesso sem sair de Brasília, não é mesmo? A propósito, se tivéssemos ganhado esse prêmio por uma grande agência de São Paulo, alinhada a um mega grupo estrangeiro, ele não teria um sabor tão especial. O Leão da Monumenta foi o terceiro conquistado por profissionais e agências sediadas em Brasília e o primeiro na categoria outdoor. Os dois anteriores vieram na categoria cyber, pelas mãos da Agência Click. Esse prêmio veio em um processo natural, que reflete o amadurecimento do nosso mercado. Agora, passada a euforia e as comemorações, temos pela frente o desafio de trabalhar duro para faturar muitos outros. De certo modo, ganhar um prêmio como Cannes só aumenta a pressão sobre todos nós. Dessa vez o Leão foi de bronze? Ótimo! O próximo deve ser, no mínimo, de prata, mas vamos batalhar pelo de ouro e, por que não, pelo Grand Prix. E é bom corrermos, porque 2012 já está aí.

NoE: Hoje, para você, Brasília é sinônimo de quê?

Grillo: Oportunidade. Em maior ou menor grau, todo mundo que vive e trabalha em Brasília ainda é pioneiro. Estamos construindo essa cidade, escrevendo sua história. Cada um em sua área de atuação, cada qual a sua maneira. Esse espírito candango, meio desbravador, é muito atraente. E, para mim, é também a melhor tradução de Brasília.

NoE. Dos seus trabalhos, tem algum mais marcante?

Grillo: Vários trabalhos marcaram minha vida. Tenho muito carinho por alguns e morro de vergonha de outros tantos. Espero que não se importe se eu citar apenas os que deram certo. O primeiro foi em 2001, quando fiz a campanha de lançamento do plano Ioiô da Americel. O sucesso foi tão grande que a ATL “importou” a campanha para o Rio de Janeiro, fato que jamais havia acontecido. Outro trabalho que me traz boas lembranças foi a campanha do Porão de Rock de 2003. Com ela, ganhei o Profissionais do Ano, da Rede Globo, o Festival de Gramado e inúmeros outros prêmios. Não havia verba para produção, a mídia era mínima, mas mesmo assim a repercussão foi enorme. 
Curiosidade: quem dirigiu os filmes, de graça, foi o René Sampaio, que hoje está de volta à cidade para rodar o longa Faroeste Caboclo. No mais, tenho um orgulho enorme de ter fundado a Fermento Soluções em Comunicação e de, mais tarde, ter sido cofundador da Casanova, que hoje chama-se Monumenta Comunicação e Estratégias Sociais. Essas duas empresas e tudo que elas conquistaram são, de fato, as realizações mais significativas da minha vida.

NoE: Agora, em que você acha que Brasília ainda precisa crescer mais, ter um
potencial melhor aproveitado?

Grillo: Brasília apresenta vários potenciais mal aproveitados ou simplesmente inexplorados. Turismo é um dos principais. Não só o turismo de negócios e feiras, que já movimenta um bocado a cidade, mas também o turismo cívico, o turismo arquitetônico, o turismo rural, o ecoturismo e o turismo de aventura. Nossa região tem vocação e condições propícias para isso. Outro potencial em que deveríamos apostar com mais ênfase é o da indústria fina de softwares e de soluções de TI. O projeto da Cidade Digital, que já existe, precisa tornar-se uma realidade o mais rápido possível. Numa resposta lá atrás eu disse que Brasília poderia ser o Vale do Silício brasileiro, não foi? E pode mesmo. Sabia, por exemplo, que a solução de reconhecimento de íris, usada no sistema de segurança do Pentágono, foi desenvolvida por uma empresa de Brasília? Pois é. Essa empresa chama-se Politec. Pouca gente sabe disso. Uma das maiores parceiras da Microsoft no mundo também é brasiliense e chama-se TBA. Enfim, as bases estão criadas. Agora é acreditar e seguir em frente.

NoE: Agora, para fechar, se surgisse uma oportunidade, você sairia de Brasília e
iria para onde?

Grillo: Pretendo, um dia, fazer um semestre sabático e passar um período curto fora do Brasil. E só. É um plano antigo. No mais, não troco Brasília por cidade nenhuma. Aqui tenho um equilíbrio saudável entre qualidade de vida e oportunidades profissionais, algo que não se encontra em qualquer outra cidade brasileira - não no nível que Brasília oferece. Sou um entusiasta dessa cidade. Descobri aqui tudo que precisava para me sentir realizado. Foi pensando em Brasília que tracei meus objetivos como empresário.
É em Brasília que pretendo ter e criar meus filhos. Sou mineiro de nascimento, carioca de criação mas, no fim das contas, o que vale mesmo é que escolhi ser um brasiliense. Minhas raízes, fixei-as aqui.



Nenhum comentário:

Postar um comentário